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terça-feira, 9 de julho de 2013

JUVENTUDE ÀS RUAS NO DIA 11 DE JULHO!


 A Jornada de Lutas da Juventude Brasileira faz um chamamento a toda juventude do país: no dia 11 de julho, todos e todas às ruas!

Milhares de jovens pelo Brasil protagonizaram manifestações massivas nos últimos 20 dias. Ocuparam as ruas e praças na luta por direitos. E com esse sentimento afirmamos que é a luta nas ruas e com unidade entre os movimentos sociais que possibilitará a conquista de mais vitórias.

Desta vez, vários movimentos sociais, organizações e partidos estão convocando um dia nacional de paralisações e mobilizações. Em cada estado a atividade se dará de um jeito único. É muito importante que as organizações da Jornada de Lutas da Juventude se somem às mobilizações e procurem os movimentos sociais para participarem conjuntamente, aproveitando o momento para, quando possível, organizarem plenárias estaduais da Jornada de Lutas da Juventude.

São 11 pontos de reivindicações nacionais, construídos de comum acordo com as Centrais Sindicais e Movimentos Sociais. Além disso, há seis pontos de denúncia que também serão expressos nas ruas.

Iremos às ruas por:
1.     Transporte público de qualidade!
2.     Reforma política com realização de plebiscito popular!
3.     Reforma urbana!
4.     Redução da jornada de trabalho para 40 horas!
5.     Democratização dos meios de comunicação!
6.     10% do PIB para a educação pública!
7.     Saúde pública e universal!
8.     Pelo fim das terceirizações: contra a PEC 4330!
9.     Contra os leilões do petróleo!
10.   Pela Reforma Agrária!
11.   Pelo fim do fator previdenciário!

Nesse mesmo dia denunciaremos: 
A repressão e a criminalização das lutas e dos movimentos sociais;
O genocídio da juventude negra e dos povos indígenas;
A impunidade dos torturadores da ditadura;
E afirmaremos nossa posição contra:
A aprovação das propostas do estatuto do nascituro;
Contra a redução da maioridade penal;
Contra o projeto de “Cura Gay”.

Juventude às ruas no dia 11 de julho

Jornada de Lutas da Juventude Brasileira
ABGLT, ANPG, APNS, ASSOCIAÇÃO CULTURAL B, BARÃO DE ITARARÉ, CONAN, CONEN, CONTAG, CONTEE, CONSULTA POPULAR, CTB, CUT, ECOSURFI, ENEGRECER, FEAB, FEDERAÇÃO PAULISTA DE SKATE, FORA DO EIXO, JPL, JPT, JUFRA, JUVENTUDE REVOLUÇÃO, JSB, LEVANTE POPULAR DA JUVENTUDE, MMM, MST, NAÇÃO HIP HOP, PASTORAL DA JUVENTUDE, PJMP, PJR, PCR, REJU, REJUMA, UBES, UBM, UJS, UNE, OCLAE, UNEAFRO, UNEGRO, UPES, VIA CAMPESINA.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Carta da PJ de Ponta Grossa contra os ataques no Facebook‏


Só clicar e baixar 

CARTA DA PJ

Carta da Comissão Diocesana da JMJ de Ponta Grossa em Solidariedade aos ataques sofridos pela PJ nas redes digitais.

texto aprovado no senado sobre o Estatuto da Juventude


Envio em anexo o  texto aprovado no senado sobre o Estatuto da Juventude, parabéns a todos/as que debateram o texto, fizeram mobilização nas redes sociais e acompanharam a sessão no senado.
Estamos de fato pautando um Estatuto onde diversos rostos tem presença e não somente o rosto da juventude estudantil, agora precisamos de manter a mobilização, pois o estatuto retornará para tramitação final da Câmara.

Contamos com todas e todos vocês na luta em defesa da vida da juventude.

Baixar aqui     >> Estatuto da Juventude parecer final   <<

sexta-feira, 12 de abril de 2013

JUFRA do Brasil e outras entidades planejam Tenda dos Mártires na Jornada Mundial da Juventude





Estiveram reunidos nos dias 04 e 05 de abril na sede da Cáritas Brasileira, em Brasília/DF, representantes da Pastoral da Juventude (PJ), Juventude Franciscana (JUFRA), Cáritas Brasileira, Rede Ecumênica da Juventude (REJU), Cajueiro, Pastoral da PUC/RJ e a Irmandade dos Mártires da Caminhada. 
A reunião teve o objetivo de planejar, articular e sistematizar a proposta da Tenda dos Mártires: Juventudes e Profecias, que acontecerá no período de 23 a 26 de julho na cidade do Rio de Janeiro, na Jornada Mundial da Juventude.
Num primeiro momento foi feito um levantamento das expectativas, desejos e sonhos para essa tenda em parceria com a organização da Presença Franciscana na JMJ, visualizando os espaços onde serão construídas as atividades e reflexões propostas por essas entidades.

O desejo do grupo convergiu para um trabalho coletivo de marcar uma proposta de uma igreja jovem, profética, missionária, orante e martirial, aberta aos grupos e diversidades juvenis. Fazer a memória dos Mártires e da vida das juventudes ajuda a pensar na luta pelos direitos, justiça e paz.

O lançamento da programação da Tenda dos Mártires: Juventudes e Profecias será no dia 30 de abril, onde as entidades irão divulgar as atividades previstas.

Para maiores informações e parcerias: tendadosmartiresjmj@gmail.com

terça-feira, 12 de março de 2013

projeto de formação de assessores/as e educadores/as.








Olá Amigos/as e Colaboradores/as.
Pedimos ajuda para divulgar o projeto de formação de assessores/as e educadores/as.
Repassem para os seus contatos, divulguem em seu perfis e páginas institucionais.

Forte abraço.

“Para mim, uma fé em Jesus Cristo que não esteja aliada à justiça social – que não esteja aliada aos pobres – não é coisa alguma”. (Bono Vox)


Geraldo Paulo Pires
Articulador Institucional
Casa da Juventude do PR

Audiência Pública na CAS debate o Estatuto da Juventude


Da Redação
A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) realiza audiência pública na terça-feira (12) para debater o projeto que institui o Estatuto da Juventude (Projeto de Lei da Câmara 98/2011). A audiência foi requerida pelo senador Paulo Paim (PT-RS), relator da matéria na CAS.
O projeto, de autoria do deputado federal Benjamim Maranhão(PMDB-PB), chegou ao Senado em outubro de 2011. A proposta já foi aprovada pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), onde teve como relator o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e ainda será analisada pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) e pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH).
Randolfe é um dos convidados da audiência na CAS, que terá também a participação de Severine Macedo, secretária Nacional da Juventude da Presidência da República; Manuela D´Ávila, deputada federal; Rebeca Ribas, vice-presidenta do Conselho Nacional da Juventude; Alessandro Melchior, representante da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais; Manuela Braga; presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas; Bruno Reis de Figueiredo, representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB); Gleidson Alves Pantoja, representante do Fórum Nacional de Juventude Negra; Alfredo Santana Santos Júnior, secretário de Juventude da Central Única dos Trabalhadores (CUT); David Barros Araújo, representante do Instituto de Juventude Contemporânea; e Maria Izabel da Silva; assessora da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente.
Na sexta-feira (15), também por requerimento apresentado por Paim, a CAS realiza diligência em Porto Alegre, no Plenarinho da Assembleia Legislativa do Estado, para debater o mesmo projeto. Os convidados ainda serão comunicados à secretaria da Comissão.
Agência Senado

terça-feira, 5 de março de 2013

Para onde vai a juventude?




ViaPastoralO artigo apresenta uma leitura das tendências que movem os jovens na pós-modernidade: no campo pessoal; na eduação escolar/acadêmica; nas relações humanas; na cultura; trabalho; religião e política. Compreender melhor essas tendências ajudará os que trabalham com jovens a encontrar lucidez no próprio pensar e agir.
Estudar as tendências da juventude implica tríplice olhar. Num primeiro momento, registra-se como ela se comportou em idos passados não muito remotos para não se perder em considerações distantes. Num segundo momento, observa-se como ela procede no presente. E, num terceiro momento, deixa-se ao leitor jovem comprovar, em sua vida, a verdade de tal análise e aos adultos a maneira como reagir positivamente em face dela.
1. Tendências pessoais
A medicina, a psicologia, a pedagogia têm constado um deslocamento significativo no desenvolvimento físico, psíquico e espiritual dos jovens. Antes, o físico e o psíquico caminhavam a passo lento. Assim, não se percebia nenhuma dissonância. À medida que cresciam fisicamente, sentiam-se maduros para as tarefas que se lhes surgiam. Assumiam com responsabilidade já na adolescência compromissos na família, na escola e até mesmo no trabalho precoce.
Um conjunto de fatores, desde a melhor alimentação, maior cuidado médico e fisioterapêutico com o corpo, ao lado de uma cultura que propõe a juventude como fase de vida a ser prolongada o máximo possível, tem-se observado, resultando em corpos vigorosos e fortes um psiquismo frágil com menor capacidade de responsabilidade.
Tal defasagem tem-se manifestado de maneira explícita no campo sexual. O desenvolvimento orgânico do corpo os faz varões ou mulheres precoces quanto às pulsões sexuais, mas despreparados para lidar com os desejos e as solicitações do ambiente. Antes, os jovens se preparavam lentamente para o amor, com reserva em face do sexo. O amadurecimento do corpo acompanhava o processo psicológico. Atualmente, os encontros afetivo-sexuais se fazem intensos e descomprometidos. Não raro, já no primeiro encontro, sem conhecimento entre si, sem nenhuma preparação humana, eles “ficam” até a relação sexual, sem perspectiva de continuidade.
A simples substituição da palavra namorar para “ficar” denota a mudança. Namorar implica relações que se constroem lenta e progressivamente. “Ficar” explode e termina logo. Daí a multiplicação dessas experiências com diferentes pessoas sem real envolvimento entre os parceiros.
A psicologia distingue na juventude dois dinamismos complementares em sadia tensão. O dinamismo projetivo move o jovem a sonhar com o futuro. Ele imagina situações, não raro idealizadas, a ser vividas amanhã. Elas lhes oferecem energia para suportar as agruras do presente. Durante o Governo Militar ditatorial no Brasil de 1964 a 1985, jovens arriscaram a vida e a perderam em lutas idealistas por um país sem repressão, livre, socialista (Betto, 1982; Gabeira, 1980; Syrkis, 1981; 1985). A dimensão projetiva manifestou-se em grau maior.
O dinamismo explorativo volta-se para o presente. Busca exauri-lo ao máximo. O futuro se esfuma. O idealismo cede lugar para a busca sôfrega de experiências momentâneas. No momento atual, predomina nos jovens a dimensão explorativa sobre a projetiva. Vivem mais do presente que do futuro. Cansaram-se e se desiludiram de causas pelas quais se empenharam ontem. As causas atuais gozam de menor força de atração. No campo católico, o idealismo se direciona aos novos movimentos eclesiais. Ele não primam por ofertas de transformação social, mas por vida moral e religiosa de ações concretas e sem perspectiva de futuro.
O universo dos jovens situa-se diferentemente em face da tradição. A geração anterior conheceu líderes importantes que lhes ditavam palavras de ordem às quais davam adesão. Os mais velhos lhes serviam de referência. A tendência presente vai na direção oposta. Importa a própria experiência pessoal, autônoma até tocar as raias do narcisismo. Por isso, preocupam-se antes com momentos felizes, fugazes, sem preocupação com as consequências, em vez de ater-se à busca de felicidade sólida, permanente e comprovada pela experiência dos maiores.
Por prenderem-se menos às tradições, despojam-se com maior facilidade de preconceitos e tabus criados pelas gerações anteriores. Assim, assumem atitude tolerante em face de comportamentos sexuais diferentes. Não temem aventurar-se por experiências-limites no campo sexual e de grupos de risco. Não poucos tentam incursões no mundo da droga e práticas sexuais divergentes, mesmo que não pensem tornar-se dependentes químicos ou praticantes de tal tipo de sexualidade. Veem tais comportamentos com naturalidade.
Ainda nesse campo da sexualidade, a postura machista com forte acento na distinção sexual e na supremacia do masculino cede lugar para o esmaecimento das diferenças sexuais e para a crescente autoconsciência da mulher.
No comportamento psicológico, há mudanças na transparência afetiva. A geração anterior se comportava de maneira recatada na expressão da própria intimidade, especialmente no que tocava à vida sexual. Não fazia facilmente confidências. A cultura pós-moderna produz profunda transformação. Torna facilmente públicos comportamentos estritamente pessoais. O programa Big Brother, tão badalado, significa a sua expressão escandalosa e extremada. Acrescente-se a entrada dos meios virtuais em que, ora protegidos por pseudônimo, ora sem a inibição do real, jovens expõem o corpo e as experiências de maneira provocante e sem recato. Está aqui um ponto que merece atenção e cuidado por parte de pais e educadores. Tal exposição despudorada tem gerado a banalização e futilização do próprio corpo, do sexo, de relações, por natureza, íntimas.
Esconde-se nesses comportamentos outra tendência forte nos tempos pós-modernos. J. Cl. Guillebaud (1999) definiu-a como “tirania do prazer”. Esquece-se a moderação necessária na vivência do prazer e embarca-se em crescente intensificação pela via das drogas e pela exacerbação de práticas sexuais. Considera-se tudo como algo normal, fácil e sem medos, nem fantasmas.
A partir das movimentações da década de 60, os jovens tomaram a palavra, na famosa expressão de M. de Certeau(1968). E agora não querem abrir mão dela. Não aceitam ser como os jovens de antanho, que ouviam muito e falavam pouco. Agora, pretendem ser ouvidos na família, na Igreja, na sociedade. Buscam espaços para participar, falar, dizer o que sentem e vivenciam. Sabem-se diferentes dos adultos. E não se intimidam diante deles. Pelo contrário, batalham por seus valores, visão de mundo, perspectivas existenciais. Agitam os espaços tranquilos.
2. Tendências na vida escolar e acadêmica
A Escola tradicional educava os alunos para aprender o que se ensinava. Fazia-se nítido corte entre o ensinar e o aprender. Do lado do professor, vinha o ensinar. Tocava aos estudantes aprender. Lentamente a pedagogia iniciou um processo de encurtar tais distâncias, valorizando cada vez mais a liberdade, a iniciativa, a criatividade dos alunos. Adentra-se na tendência da modernidade de valorização da autonomia, da subjetividade em contraste com a submissão à autoridade e às tradições dos maiores.
Mais diretamente sobre a educação, surgem correntes que, de diferentes pontos de vista, valorizam o sujeito. C. Rogers acentua as abordagens centradas na pessoa de caráter não diretivo (Rogers, 1970a; 1970b; Rogers e Kinget, 1969). Aposta no sujeito, no núcleo básico de cada pessoa humana. Entende o educador como quem, pela via da empatia, pela compreensão, pela capacidade de perceber o outro nele mesmo e amá-lo, por relação de mútua confiança, leva o aluno a encontrar o próprio caminho, a resposta a seus problemas e a descobrir e atualizar o seu potencial de crescimento.
No Brasil, a pedagogia conscientizadora e libertadora de Paulo Freire reforça o valor do sujeito que extrojeta o dominador que o habita para encontrar a si mesmo na sua dignidade e singularidade. Opõe-se à educação bancária pelo processo de conscientização (Freire, 1975, 1982).
A pedagogia de J. Piaget colabora também nessa linha de mostrar os estágios por que passam as crianças e de elas mesmas construírem a si mesmas. Elas aprendem a partir do que são. Cabe aos professores aperfeiçoarem o processo de descoberta dos alunos.
Enfim, a Escola Nova se foi implantando, gerando nova geração de crianças, adolescentes e jovens (Wikipédia). Supera-se então a posição do professor que dita e do aluno que copia e repete. Fala-se de construção do conhecimento por parte do aluno, salientando a relação dialética entre o sujeito e objeto. Nenhum dos lados sozinho constrói o conhecimento. O construtivismo consagrou-se nesse campo (Nogueira, Pilão, 1998).
Nesse horizonte cultural, vive uma juventude que deixa para trás a pedagogia de aprender o ensinado para assumir posição crítica e cada vez menos interessada no simples aprendizado. Adquire-se o valor da autonomia, mas, sem dúvida, paga-se enorme preço de não assimilar riquezas da tradição. Impõe-se, portanto, a criação de pedagogia crítica dialética no sentido de olhar o ensinado sob o ângulo da positividade e da negatividade. O fato de passar conhecimentos feitos reflete a ambiguidade de todo ensino. Não valem eles pela força da autoridade e por si mesmos. Nisso a tendência atual mostra-se positiva em opor-se à educação bancária. No entanto, a tradição anterior comunica experiências acumuladas de valor, cuja rejeição, pelo simples fato de ser transmitida, se torna lastimável. A nova geração empobrece.
Nessa mesma direção, percebe-se a tendência de rejeitar toda disciplina da Escola, anterior ao aval dos alunos. A experiência de Summerhill quis visibilizar uma Escola em que os alunos decidissem totalmente sobre o seu modo, ritmo, vida (Wikipédia b). Houve ganhos nessa tentativa, mas pulularam os desvios e exageros. Sem dúvida, caminha-se para maior participação dos alunos na configuração da vida acadêmica, sem cair no extremo de eles serem o principal e até mesmo único protagonista. O movimento vai mais na linha de aumentar o peso decisório dos alunos.
Entre inúmeros fatores que marcam a mudança no campo da formação intelectual, acadêmica, há deslocamento significativo referente ao tipo de leitura e de escrita. Tem-se manuseado menos os livros e romances clássicos das diversas literaturas, que outrora formavam a inteligência dos estudantes, para a crescente curiosidade de manipular o universo da informação. Vivemos afogados em excesso de dados fornecidos pelos programas de busca que abundam na Internet.
Com isso, passa-se de uma cultura em que se aprendiam a escrita e a fala estabelecidas para a nova escrita da Internet e modo juvenil de falar. Nota-se sensível mudança na linguagem escrita e falada da atual geração, influenciada pelos meios de comunicação. Trava-se discussão entre os pedagogos e linguistas. Uns aceitam essas transformações sem mais, apelando pela regra fundamental de uma língua ser viva e estar em contínuas transformações. Outros batalham pela conservação de cânones gramaticais. A realidade caminha na direção da gigantesca modificação das regras do falar e escrever.
3. Tendências nas relações humanas
Na família
Ao entrar no universo das relações na família, desloca-se da família estruturada em que os filhos se encontravam normalmente com os pais para a em que apenas se relacionam. Pois ela sofre da ausência dos membros em atitudes múltiplas e diversificadas, da fragmentação, da dissolução dos laços familiares, de recasamentos, cujos filhos oscilam onde morar. Nas famílias em que a relação familiar se mantém, a mudança acontece na postura dos filhos em relação aos pais. Em lugar da antiga distância e respeito reverencial, vivencia-se relacionamento mais próximo de “amigão”. Assim, os papéis de pai e filhos, antes bem definidos, agora se confundem.
O desejo de autonomia e independência dos filhos, manifestado no deixar a casa paterna no início da maturidade, mantendo, porém, vínculos de fato, cede lugar para uma vida autônoma, sem vínculos. No entanto, eles prolongam a permanência física na casa dos pais, retardando constituir família, sem por isso deixar de manter relações afetivo-sexuais com um(a) companheiro(a).
Perdeu-se a concepção romântica do matrimônio para a compreensão realista e pragmática. Cresce o número daqueles jovens que evitam filhos para não se sentirem cerceados na liberdade para se dedicarem ao estudo, à viagens e a experiências prazerosas.
Trabalho e colegas
Quanto ao futuro profissional, assiste-se à passagem tranquila e normal de uma sociedade, escola e casa que asseguravam a disciplina e que ofereciam inserção no mundo do trabalho para a sociedade anômala, sem lugar para os jovens, a gerar incerteza do futuro e trabalho cada vez mais problemático, mesmo para quem possui curso superior.
Antes predominava convivialidade ampla com os colegas e surge a busca de grupos e tribos afins. Os encontros reais cedem espaço para o crescimento das relações virtuais por meio da Internet, e-mail, blogs, fotologs, Orkut, MSN, Skype, webcam, YouTubeTwitterFacebook, torpedos, celular etc. Convivem no mesmo espaço e tempo, em vez de única idade cultural, companheiros de várias idades culturais sob o impacto da globalização massificante.
4. Tendências no mundo cultural
Ainda mais significativas se mostram as tendências culturais. A consciência ética, histórica e utópica das gerações da década de 60 esmaece em prol da acentuação extremada do presente. Os sonhos de futuro se desfazem em nome do realismo de concentrar-se no prazer, cada vez mais intenso, das aventuras do momento.
Tendência semelhante manifesta-se no campo da verdade. Influencia os jovens o movimento atual de substituir a verdade pela beleza, pela estética. O bonito vale mais do que o verdadeiro. Oculta-se facilmente a verdade sob a aparência do belo. Com isso, também, as certezas perdem importância com a relativização das verdades. Interessa mais ao jovem o que ele acha de alguma coisa do que o que essa coisa é por ela mesma.
Em parte, tal nova maneira de pensar se origina de posturas que os jovens adquirem em face das tradições, quer mantidas pelas instituições, quer transmitidas pelos mais velhos. Relativizam-nas em nome da própria maneira de vê-las, conhecê-las e senti-las. Afeta tal comportamento o fato de a juventude de hoje, diferentemente da de antes, perder o sentido de normatividade da natureza, substituindo-a pela tecnologia.
O mundo cultural atual tem produzido outras tendências nos jovens. Em vez de se alimentarem da cultura tradicional ocidental, fortemente marcada pela dualidade, predomina a busca de conciliação, unidade, tolerância até certo monismo oriental. Isso não impede, porém, algo paradoxal. A procura do pensamento unificante vindo do Oriente choca-se com o pesado sentimento de fragmentação que os afeta em todos os campos. Portanto, tendência quase contraditória do sonho de um Todo harmônico e a experiência de uma realidade feita aos cacos.
Perde-se a estabilidade que os tempos antigos permitiam. Entra-se em vida agitada a provocar aventuras esporádicas no tríplice campo do sexo, da violência e da droga até as raias do crime.
Indo mais fundo na cultura, percebe-se a mudança na concepção de tempo e de lazer, antes ligada à natureza, para crescente ocupação do tempo especialmente pela presença das ofertas lúdicas da eletrônica. O próprio esporte tem adquirido formas crescentemente competitivas.
Enfim, assistimos à substituição dos silêncios e dos sons da natureza pela crescente e permanente presença de músicas barulhentas e ruidosas, potencializadas pelos recursos eletrônicos.
5. Tendências no mundo religioso
Na experiência religiosa, a tendência se manifesta paradoxalmente no processo de secularização com jovens cada vez mais alheios à esfera religiosa ou em busca sôfrega de formas religiosas, gestadas no próprio Brasil – Santo Daime, União do Vegetal e outras – ou vindas do Oriente, sem falar do neopentecostalismo evangélico, das expressões carismáticas católicas. Parece diminuir claramente o jovem tradicionalmente católico. Assim, a religião institucional cede lugar para práticas religiosas selecionadas conforme a necessidade e o gosto do momento.
Essa tendência repercute no gosto musical dos jovens. Afastam-se da música tradicional religiosa para assumir novos ritmos. Tanto no espaço católico como evangélico, toca-se e canta-se o Gospel, cuja raiz se encontra na música cristã negra dos EUA. Por meio dela, se expressa a fé individual e a comunitária.
Quer sob a forma secular ou neorreligiosa, a concepção tradicional de Transcendência, percebida em sua consistência distinta de nós, esfuma-se em insinuante imanentização. Perde-se na interioridade das pessoas ou no cosmos a partir de mística ecológica panteísta.
Destarte, a espiritualidade vivida de maneira constante, sólida, lenta e estruturada transforma-se em algo fulgurante, explosivo, breve, de curto prazo, que prefere satisfazer a afetividade a oferecer alimento para o crescimento na fé.
Tal deslocamento espiritual modifica a consciência de culpa, de pecado. A juventude presente se sente cada vez menos marcada por ela. Fala-se até mesmo de certa “nova inocência” que se manifesta em achar tudo tão natural que a ideia de transgressão, de infração, desaparece. Esbarra-se num “vale-tudo”.
Quanto à participação ativa e comprometida na Igreja, assistimos à passagem da pastoral da juventude de Ação Católica, de grupos em estilo de Cursilho, para a pastoral no interior dos novos movimentos religiosos e de momentos quentes. A Igreja, que nos tempos de Ação Católica oferecia aos jovens lugar próprio, sofre, no momento, certa hesitação e indefinição, sem propostas para eles. Encara o desafio de responder à atual pluralidade de expectativas.
6. Tendências na sociedade e política
No campo da política, desloca-se da sociedade rural e industrial com horizontes mais ou menos estáveis para a sociedade do conhecimento altamente móvel, flexível. Os jovens se surpreendem, de um lado, provocados a assumir cada vez maiores compromissos e, de outro, percebem que os canais de participação se lhes fecham.
A sociedade moderna está para ser profundamente questionada pela nova geração. Em face dela, os adultos buscamfrear-lhe o ímpeto transformador que atingira ponto alto nas revoltas de 1968. Em certo momento, usaram-se os recursos da repressão militar violenta. Hoje, intentam envolvê-la em crescente aburguesamento pela força do consumismo e da sutil penetração dos meios de comunicação social. Manipulando os centros do poder, eles têm domesticado imperceptivelmente os jovens, aprisionando-os na busca fácil do prazer, da festa, das aventuras sem cunho político.
Então, tem-se visto que a juventude em grande parte tem remetido para segundo plano a consciência crítica em face da realidade social e que desposa os valores da competência, do sucesso no mercado de trabalho.
Assim, caminha-se de uma juventude consciente e fortemente politizada para uma que assume compromissos esporádicos e, sobretudo, eventos festivos. A maneira despreocupada com a aparência exterior, especialmente dos rapazes, mas também de moças engajadas politicamente, converte-se no cultivo do corpo e da beleza externa. A juventude vinculada a ideais se faz pragmática com ausência de práxis e de história.
Aquela juventude que viveu a glória dos EUA com a vitória da 2ª Guerra Mundial e considerou-os Meca da democracia, desenvolveu, em dado momento, antiamericanismo militante, com slogans como “Yankees, go home!” (“Americanos, voltem para casa!”). Agora, porém, por razão da poderosa influência americana pela mídia, os jovens assimilam cada vez mais a cultura americana, o seu way of life.
Conclusão
Aqui apontamos algumas tendências da juventude nos dias de hoje. Seguimos de perto o que tratamos no nosso livro citado acima. Além de artigos, em três momentos, preocupei-me com a pastoral da juventude em que estava parcialmente engajado. Num primeiro momento, tentei analisar os Encontros de Jovens que surgiram por ocasião da hegemonia do Movimento de Cursilhos (Libanio, 1983).
Já em tempos de pós-modernidade, detive-me em analisar a nova situação da pastoral da juventude (ibid., 2004). As novidades da situação dominante impunham repensamento da presença junto aos jovens. Esse artigo visa diretamente a outro livro situado na mesma perspectiva da pós-modernidade, mas com a intenção de perceber as tendências que movem os jovens (ibid., 2012).
Toda análise vale à medida que ela ilumina a realidade escolhida. Fica para o leitor, como escrevemos na introdução, a tarefa de verificar até onde o estudo presente lhe ilumina a realidade da juventude de hoje. A perspectiva escolhida situa-se dentro da pastoral, isto é, do agir da Igreja em relação à juventude. Os outros conhecimentos das ciências humanas contribuem para melhor entender o jovem de hoje, sem nenhuma pretensão epistemológica própria de cada uma das ciências. Aqui eles entram no espírito da interdisciplinaridade, sem ares de especialização. As reflexões sobre “Para onde vai a Juventude” cumprem sua finalidade, se elas ajudam os jovens e os que com eles trabalham a encontrarem lucidez no próprio pensar e agir.
BIBLIOGRAFIA
BETTO, F. Batismo de sangue: Os dominicanos e a morte de Carlos Marighella. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1982.
CERTEAU, M. La prise de parole: Pour une nouvelle cultureBrugesDesclée de Brouwer, 1968.
FREIRE, P. Educação como prática da liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982.
______. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1975.
GABEIRA, F. O que é isso, companheiro? Rio de Janeiro: Codecri, 1980.
GUILLEBAUD, J.-C. A tirania do prazer. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999.
LIBANIO, J. B. Jovens em tempos de pós-modernidade: Considerações socioculturais e pastorais. São Paulo: Loyola, 2004.
______. O mundo dos jovens: Reflexões teológico-pastorais sobre os movimentos de juventude da Igreja. São Paulo: Loyola, 1983.
______. Para onde vai a juventude? Reflexões pastorais. São Paulo: Paulus, 2012.
NOGUEIRA, E. J.; PILAO, J. M. O construtivismo. São Paulo: Loyola, 1998.
ROGERS, C, R. La “terapia centrata – sul – cliente”: teoria e ricerca. Firenze: G. Martinelli, 1970a.
______. Tornar-se pessoa. Lisboa: Moraes, 1970b.
ROGERS, C.; KINGET, G. M. Psychothérapie et relations humainesThéorie et pratique de la thérapie non directive.LouvainPublications Universitaires, 1969.
SYRKIS, A. “Os carbonários”: memórias da guerrilha perdida. São Paulo: Global, 1981.
______. Brasil: Nunca mais. Petrópolis: Vozes, 1985.
WIKIPEDIA. Escola Nova. Disponível em: wikipedia.org/wiki/Escola_Nova. Acesso em 10 abril de 2012a.
__________. Summerhill. Disponível em: wikipedia.org/wiki/Summerhill_School. Acesso em 10 abril de 2012b.

 

J. B. Libaniosj

* Doutor em Teologia pela Universidade Gregoriana de Roma. Há mais de três décadas vem se dedicando ao magistério e à pesquisa teológica. É vigário da Paróquia Nossa Senhora de Lourdes em Vespaziano, na Grande BeloHorizonte-MG. E-mail: jblibanio@faculdadejesuita.edu.br.

Juventude e o mundo do trabalho







juventude-e-o-mundo-do-trabalhoA juventude brasileira no contexto sócio-político-econômico atual se depara com inúmeros desafios. A entrada no mundo do trabalho é um deles.  Inserção precária, taxas de desemprego e rotatividades elevadas, baixos salários e longas jornadas, incompatível com a continuidade dos estudos, entre outros aspectos, são marcantes na vida de grande parte dos jovens brasileiros, especialmente daqueles excluídos da riqueza socialmente construída.
A juventude, enquanto um período específico do ciclo de vida é marcada pela superação da condição anterior de dependência e proteção exigida pela infância e adolescência. E, prosseguida pelo desenvolvimento de sua autonomia, processo esse vivenciado em um contexto de uma sociedade capitalista que limita seu potencial criativo e o desenvolvimento de suas habilidades com desigualdades segundo a idade, a classe social, o gênero, a cor/raça, os níveis de escolaridade e os locais de moradia.
Historicamente, mesmo com maior crescimento econômico e com o consequente aumento das ocupações, os jovens são absorvidos pelo mercado de trabalho com intensidade bem inferior ao da população adulta. Mulheres jovens seguem registrando condições desfavoráveis de inserção, autonomia e renda em relação aos homens jovens; maior proporção de emprego em setores de baixa produtividade e os ingressos mais baixos, ainda que com os mesmo níveis de educação. Não restam dúvidas de que, em geral, os e as jovens de renda mais baixa ingressam mais cedo no mercado de trabalho, muitas vezes sem concluir a escolaridade básica. No caso das jovens mães de famílias pobres, o tempo dedicado ao trabalho reprodutivo e de cuidado realizado na esfera doméstica representa um obstáculo adicional para a continuidade da trajetória escolar/acadêmica e para a inserção no mundo do trabalho, obstáculo adicional esse fruto de organização familiar e societária patriarcal e machista em que dividem de forma desigual os papéis a serem desempenhados.
Os efeitos da estrutura e dinâmica do mercado de trabalho brasileiro exigem do jovem estudante e trabalhador uma carga de horário e dedicação que usurpa o direito à experimentação, tempo livre e uma formação escolar acadêmica com qualidade. Em conjunto com isso o sistema de ensino se mostra ineficaz e incoerente com a realidade da juventude trabalhadora. Há a necessidade da democratização do acesso e uma revolução pedagógica casado com políticas de assistencial estudantil, em todos os níveis de ensino, para que a juventude trabalhadora não abandone o meio acadêmico pela necessidade objetiva de trabalho e renda pra suprir suas próprias necessidades básicas ou até mesmo de sua família. A proposição de um conjunto de ações em torno das condições específicas deve dialogar com a realidade da juventude rural e das comunidades tradicionais, bem como de jovens imigrantes, com deficiência, mulheres e negros.
Os governos e a sociedade civil organizada devem mobilizar esforços para a utilização de distintos instrumentos na melhora contínua em uma abordagem integral voltada para fortalecer o potencial das novas gerações, inserida numa perspectiva de ciclo de vida, devendo pautar-se pela garantia dos direitos dos e das jovens enquanto cidadão e das juventudes, em cada uma de suas diversidades e expressões, assim como os direitos da juventude enquanto manifestação histórica de uma geração em sua relação com o mundo adulto na busca por igualdade de oportunidades e condições básicas para construir uma sociedade que contrapõe o modelo vigente.


Gil Piauilino
Estudante de Serviço Social da UnB

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Depoimento vocacional





otvioOtávio Beralda é um jovem adulto que sempre sonhou em ser Padre. Desde a sua infância, esse sempre foi o seu maior sonho. Após uma infância simples e uma juventude dedicada ao trabalho e ao autoconhecimento, aos 28 anos entrou para o Seminário Diocesano, onde cursou Filosofia, Teologia e se dedicou na concretização de seu sonho.
“Nasci no dia 17 de dezembro de 1976, na cidade de Campo Grande, no então Estado de Mato Grosso, hoje meu querido Mato Grosso do Sul. Sou o caçula de sete filhos do casal simples, Sr. Jovelino Neves de Jesus e Sra. Clementina Beralda Neves. Meu pai nasceu em Alto Araguaia – MT, em 1937, homem simples de descendência baiana que sempre trabalhou na lavoura, de personalidade forte e sempre se preocupou em criar seus filhos para enfrentar o mundo com simplicidade. Minha mãe, de família mineira, nasceu em Frutal – MG, em 1945, vindo aos 7 anos de idade para Inhaus – GO, ficando lá até sua juventude. Mudou-se com seus pais para Pedro Gomes – MS, onde conheceu meu pai e se casaram. Após alguns anos de casamento mudaram-se para Campo Grande –MS, onde nasceram os últimos três filhos.
Nasci e passei minha infância no bairro “Moreninha 1”, hoje conhecido como Cidade Morena. Fiz catequese naquela comunidade que hoje é a Paróquia Nossa Senhora Aparecida das Moreninhas. Vi a construção daquela tão amada Igreja.
Aos 10 anos, minha família mudou-se para o Estado de Rondônia, onde permanecemos por 9 anos. Em decorrência dos inúmeros casos de malária, retornamos para Mato Grosso do Sul em 1994, residindo em Coxim. Servi ao Exército Brasileiro naquela cidade, após a baixa dos serviços militares vim morar em Campo Grande, minha cidade natal, onde consegui meu primeiro emprego, de “gari” popularmente conhecido com “lixeiro”.
Com muito sacrifício comprei um terreno e construí uma pequena moradia no Bairro Tijuca 2, onde conheci a comunidade São Paulo Apóstolo, pertencente à Paróquia Maria Mãe da Igreja, tendo como pároco na época o Pe. Orlando Cáceres.
Recebi o chamado de Deus ainda muito novo, em minha infância, porém, entrar para o Seminário requeria recursos financeiros os quais minha família não possuía. Minha mãe procurou os Salesianos para que eu pudesse estudar e um dia me tornar Padre, porém os recursos da família não eram bons. Coube ao meu pai tirar essa ideia dos meus pensamentos, e para isso disse uma frase que ficou marcada em minha vida: “Seminário, lá é lugar onde o filho chora e a mãe não escuta”. Com isso em mente fui crescendo e tirando da cabeça o desejo de me tornar Sacerdote.
Durante a juventude sempre participei da Santa Missa. Mas um dia, ao participar da missa na comunidade São Paulo Apóstolo, voltou aquele desejo que tinha quando criança. Procurei um seminarista, hoje o Pe. Ednaldo, que me encaminhou para o Padre Fabiano, na época pároco da Paróquia Cristo Bom Pastor. Com ele fiz meus primeiros encontros vocacionais, preparando-me durante 4 anos para depois  ingressar no Seminário, em 2004.
Após meus estudos nos Seminários (Filosofia e Teologia), me dediquei ao estágio pastoral, passei pelas Paróquias Coração Eucarístico e Nossa Senhora das Graças. Em março de 2012, Dom Dimas enviou-me para trabalhar no Assentamento Patagônia, em Terenos, onde estou até hoje, com alegria, fé e esperança. Trabalhar com o povo do assentamento e região me fez perceber como preciso ser mais missionário. Estar junto com aquele povo, caminhar com eles, participar com eles do Banquete Maior, me fez muito mais feliz. Uma experiência, um presente dos mais valiosos que ganhei do meu Bispo um, um grande tesouro onde seu valor não tem fim, que é aquele povo simples, humilde e cheio de esperança. Estar com eles é caminhar verdadeiramente em Cristo.
Como lema para minha ordenação diaconal escolhi o Evangelho de Lucas, capítulo 1 Versículo 49, que diz: “O Senhor fez em mim maravilhas.” Observando minha vida, minha historia, de como foi difícil chegar até aqui, me recordo do povo de Israel e da Bem Aventurada Virgem Maria. Quantas maravilhas fez o nosso Deus na vida de seu Povo e comigo não foi diferente. Foi difícil a caminhada até aqui, em minhas dores, aflições, medos, angustias, sempre confiei em Deus. É fato que pensei em largar tudo, pois não cabia em tanta dor, porém Deus usa as pessoas, para nos dar algo de bom que é Sua Palavra, meditando-a, observando-a, cheguei até aqui. Muitos ainda serão os problemas que virão. Não tenho mais medo! Aprendi que quando se caminha com Cristo, temos nosso escudo.
Se posso olhar para trás e rever em pensamentos o que vivi, percebo que a vitória e o mérito não são meus, são de Deus. Se hoje posso dizer como convicção meu SIM à Deus, fiz exatamente porque Ele caminhou comigo, esteve comigo, estabeleceu sua morada no meu coração. “O Senhor fez em mim Maravilhas” (Lc 1,49).



Campanha da Fraternidade 2013 – Juventudes em Pauta




união“Eu acredito é na rapaziada
Que segue em frente e segura o rojão
Eu ponho fé é na fé da moçada
Que não foge da fera e enfrenta o leão
Eu vou à luta com essa juventude
Que não corre da raia a troco de nada
Eu vou no bloco dessa mocidade
Que não tá na saudade e constrói
A manhã desejada.” (Gonzaguinha)






Passadas mais de duas décadas, a Campanha da Fraternidade (CF) volta a ter como tema a Juventude. Com sua vocação profética, a CF não teme denunciar as estruturas que causam a morte, sendo sempre, contudo, momento fértil de anúncio da Boa Nova, do Reino de Deus, da Civilização do Amor.
Assim como em 1992 (ano em que a CF teve como tema a Juventude), é urgente a atenção de toda a sociedade com a vida e as demandas de milhões de jovens do nosso país, que representam quase 30% dos 190 milhões de brasileiros/as. Em 2013, a Campanha da Fraternidade se propõe a“acolher os jovens no contexto de mudança de época, propiciando caminhos para seu protagonismo no seguimento de Jesus Cristo, na vivência eclesial e na construção de uma sociedade fraterna fundamentada na cultura da vida, da justiça e da paz”[1]. Assim, é necessário perguntarmos: como é a vida da população jovem? Quais são as suas grandes demandas?
Condição e Situação Juvenil
A concepção que se tem de juventude e de ser jovem é fruto de um determinado momento histórico, de determinada cultura, de determinadas relações sociais. A noção de juventude pode variar, inclusive, dentro de uma mesma época, dependendo do país, da sociedade, do universo cultural e de questões sócio-econômicas. Além disso, dependendo da área do conhecimento (principalmente na psicologia e na sociologia), há grandes dificuldades na distinção entre adolescência e juventude.
No Brasil, nos últimos anos, devido ao maior debate sobre políticas públicas de juventude, vem se buscando uma melhor definição do tema. Atualmente, considera-se jovem a população entre 15 e 29 anos de idade. Mas apenas a questão etária não é suficiente para abarcar a condição juvenil. Conforme a socióloga Helena Abramo, “trata-se de uma fase marcada por processos de desenvolvimento, inserção social e definição de identidades, o que exige experimentação intensa em diversas esferas da vida. Essa fase do ciclo de vida não pode mais ser considerada, como em outros tempos, uma breve passagem da infância para a maturidade, de isolamento e suspensão da vida social, com a ‘tarefa’ quase exclusiva de preparação para a vida adulta. Esse período se alongou e se transformou, ganhando maior complexidade e significação social, trazendo novas questões para as quais a sociedade ainda não tem respostas integralmente formuladas”.[2]
Porém, viver essa condição, ou seja, viver a experiência de todos esses processos não é algo homogêneo para todas as pessoas entre 15 e 29 anos. Se podemos pensar em uma condição juvenil (que, não esqueçamos, muda de acordo com a sociedade e com o momento histórico), temos que falar em situações juvenis, onde devemos considerar questões como a de gênero, classe, etnia, escolaridade, mundo do trabalho, expressão cultural etc.[3] Nesse sentido, não podemos falar em Juventude, mas em Juventudes, levando em conta, assim, as várias faces do ser jovem, variando com os inúmeros contextos e experiências nas quais os/as jovens estão inseridos, além das diversas formas que se manifestam, seus valores, suas concepções e seus sonhos.
CF 2013 e a Vida das Juventudes
O contexto de desigualdades que vivemos leva um imenso contingente de jovens à privação de direitos, de uma vida digna e de uma formação e desenvolvimento integrais. Já alertava e convocava a CNBB em 2007:
“Face à situação de extrema vulnerabilidade a que está submetida a imensa maioria dos jovens brasileiros, é necessária uma firme atuação de todos os segmentos da Igreja no sentido de garantir o direito dos jovens à vida digna e ao pleno desenvolvimento de suas potencialidades. (…) Um desafio urgente é garantir que todos os jovens tenham acesso aos direitos fundamentais, numa sociedade marcada por profundas desigualdades sociais, regionais, raciais e de gênero.”[4]
Em todas as áreas sociais, as juventudes sofrem com a ausência ou a insuficiência das políticas públicas. Na educação, por exemplo, levantamento do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) aponta que 1,5 milhão de jovens são analfabetos[5]. Em relação aos/às jovens entre 15 e 17 anos, apesar de avanços nos últimos anos, 83% frequentavam a escola em 2011, mas cerca da metade não estava no ensino médio, de acordo com o IBGE[6]. Sobre o ensino superior, também considerando melhorias na última década, apenas 17,6% de jovens entre 18 e 24 anos cursam ou concluíram uma graduação, de acordo com o Censo da Educação Superior 2011 (MEC).
No mundo do trabalho, além de constatarmos a grande quantidade de jovens desempregados, observamos que eles recebem, comparativamente a outras faixas etárias, os menores salários em média, além de ocuparem, em sua grande maioria, os postos mais baixos. Essa situação fica mais aguda quando se trata de jovens mulheres e negras que recebem, em média, os mais baixos vencimentos.
As altas taxas de homicídio no Brasil e o encarceramento em massa atentam cotidianamente contra a promoção de vida digna para as juventudes, onde destacadamente sofre a juventude negra, empobrecida e moradora das periferias. A taxa de homicídios no Brasil vem se mantendo, considerando a população toral, nos absurdos 26 assassinatos por 100 mil habitantes. Segundo o Mapa da Violência 2012[7], tendo como base o ano de 2010, as taxas atingem números chocantes quando consideramos apenas a população jovem, especialmente na faixa entre os 20 e 25 anos. Entre os jovens brancos, a taxa chega à 37,3/100 mil. Já entre os jovens negros, a taxa alcança 89,3/100 mil. Ao mesmo tempo, jovens entre 18 e 29 anos representam mais de 260 mil pessoas do total de encarcerados no Brasil[8], vivendo em condições precárias e humilhantes, como superlotação de celas, ausência de materiais para higiene pessoal, falta de estudo e de trabalho de qualidades, situações diversas de violências, falta de atendimento médico adequado, entre outros.
É imperativo, portanto, transformar a realidade excludente que marca a vida de tantos/as jovens, construindo as condições sociais para que sejam Sujeitos de Direitos. Comungando com a história e a vocação da Igreja na América Latina[9], a CF-2013 é um grande momento de renovarmos a evangélica e profética opção pelos pobres e pelos jovens, caminhando junto com os povos que mais sofrem e construindo uma nova sociedade, pautada pela justiça social e pela fraternidade. Nesse sentido, a CF “Fraternidade e Juventude” destaca:
“Na cultura atual, a noção de ‘direito’ representa a perspectiva da promoção da igualdade efetiva. A função dos direitos é proporcionar garantias das condições para que grupos sociais, como a juventude, possam existir e se desenvolver segundo suas potencialidades e necessidades, sem discriminações e exclusões.
Em relação à juventude, é essencial buscar a igualdade de condições com a valorização da diferença para a manutenção dos direitos de forma plena e libertadora. O desafio é levar a sociedade a perceber os jovens como sujeitos de direitos e protagonistas na promoção e recepção das políticas públicas.”[10]
Quaresma e CF, tempo de conversão
A Campanha da Fraternidade, em todos os anos, é vivida intensamente (não exclusivamente) na Quaresma. O espírito do período quaresmal é, marcadamente, de tempo de conversão, preparação para a festa da Páscoa, onde a Vida triunfa sobre a morte.
A Campanha da Fraternidade, que ocorre desde 1964, nunca se omitiu em denunciar as estruturas de morte que atingem o povo. Seu objetivo sempre foi o de mobilizar a Igreja e o conjunto da sociedade na construção efetiva de uma sociedade que promova a vida, convertendo as ideologias e as estruturas sociais, políticas e econômicas que levam à morte. Podemos tomar como exemplos mais recentes, as últimas CF’s. No ano passado, em 2012, o tema “Fraternidade e Saúde Pública” contribuiu muito para a valorização do SUS e para reafirmar a importância da participação popular na gestão da saúde pública, atuando, especialmente, nos conselhos gestores. Em 2009, com o tema “Fraternidade e Segurança Pública”, a CF denunciou, entre outras coisas, o encarceramento em massa e pautou a necessidade de uma segurança pública baseada nos direitos humanos. No ano de 2003, o tema foi “Fraternidade e Pessoas Idosas”. Essa CF foi determinante, não nos esqueçamos, para a criação, naquele mesmo ano, do Estatuto do Idoso (Lei 10.741/2003). Isso só para darmos apenas três exemplos da última década.
Nesse ano de 2013, somos chamados a manter esse legado da CF, de compromisso com a Vida e com o povo. Lembremos, assim, das palavras de Dom Leonardo Ulrich Steiner, quando diz que “a Quaresma deve, portanto, vir iluminada pelo desejo de conversão. (…) a CNBB nos apresenta a Campanha da Fraternidade como itinerário de conversão pessoal, comunitária e social”[11]. Desse modo, somos chamados à conversão e ao compromisso pessoal com a causa juvenil, especialmente com a mais desfavorecida e empobrecida. Ao mesmo tempo, somos igualmente convocados à promover a transformação das realidades sociais, políticas e econômicas que não consideram os jovens sujeitos de direitos, em vista da construção de uma sociedade fraterna pautada na vida, na justiça e na paz.
Marcelo Naves,
Agente de Pastoral Carcerária da Arquidiocese de São Paulo, SP



[1] CNBB, Campanha da Fraternidade 2013 – Texto Base, §4 – Objetivo Geral.
[2] ABRAMO, Helena W., O uso das noções de adolescência e juventude no contexto brasileiroin “Juventude e adolescência no Brasil – referências conceituais, org. Maria Virgínia de Freitas. São Paulo, Ação Educativa, 2005. p. 31.
[3] Para o debate sobre condição e situação juvenil, ver: ABRAMO, Helena W., Condição juvenil no Brasil contemporâneoin “Retratos da Juventude Brasileira – Análises de uma pesquisa nacional”, org. Helena W. Abramo e Pedro P. M. Branco. Ed. Perseu Abramo e Instituto Cidadania, 2005.
[4] CNBB, Evangelização da Juventude – Desafios e Perspectivas Pastorais, Documento 85, 2007, ed Paulinas, § 230 e § 234.
[8] Conforme InfoPen, junho de 2012. http://mapadaviolencia.org.br/pdf2012/mapa2012_cor.pdf.
[9] Cf. Conferências Episcopais Latino Americanas de Medellín (1968), Puebla (1979), Santo Domingo (1992) e Aparecida (2007).
[10] CNBB, Campanha da Fraternidade 2013 – Texto Base, § 334 e § 335.
[11] CNBB, Campanha da Fraternidade 2013 – Manual, Introdução, p. 7.
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