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terça-feira, 26 de março de 2013

Um Cajueiro no Cerrado Goiano




Banhado pelas águas de março, reconhecemos, em terras goianas, um Cajueiro. Ele foi gestado por muitos anos, forjou muitos frutos, sementes com as quais saboreamos nossas vidas.  Reconhecemos que estes frutos e sementes não estão somente, aqui, em Goiás.  Há uma variedade de frutos desta árvore. Aqui conhecemos o cajuzinho, o caju amarelo, o caju vermelho. Nestas terras, contudo, se explora pouco a semente. Ela é usada para plantar e a chamamos de careta do caju. Ele nasce no cerrado e é parte da paisagem.
Esse Cajueiro, encontrado nestas terras do Cerrado Goiano, nasceu do desejo de muita gente; nasceu com o apoio e o acompanhamento de milhares de pessoas espalhadas pelo mundo. Não é qualquer Cajueiro.  Ele se propõe a ser abrigo, sempre; resistência, em tempo de seca; perfume, em tempo de florada; abundante, em tempos de frutos e sementes porque acredita que a floresta terá outros Cajueiros que se somam com este seu esforço de estar no mundo, fazendo diferença em favor da vida dos pequenos.
Este Cajueiro está a beira de uma água que rega, todos os dias, a esperança e o sonho de construir “um outro mundo possível”. Por isto, em torno de sua sombra, junta pessoas, grupos, entidades que desejam se alimentar deste sonho de ver a justiça e a paz Reinar entre nós. Nesta sombra, alimentada na vida comunitária, no desejo de celebrar a vida abundante para todos/as, se cultivarão os valores de respeito, de cuidado, de liberdade, de acolhida, de bem querer. Exercitar-se-á o conflito das ideias na buscar de romper com o homogêneo  e com o massificado. Queremos diversidade e respeito às diferenças. Queremos provocar que cada pessoa diga “sua palavra original” sobre o mundo e sobre elas mesmas.
Na sombra agradável e fresca deste Cajueiro, amadurecerão projetos de mística e espiritualidade, de cidadania e economia solidária, de pesquisa e publicações, de intercâmbio e esforços na construção do bem viver, jovens e adultos, protagonistas e autônomos; ali  cuidar-se-á da saúde e das relações pessoais,  alimentar-se-ão sonhos em celebrações e partilhas de vida.
Na brisa deste Cajueiro serão planejados caminhos das políticas públicas e se construirão caminhos coletivos para que a vida seja respeitada e cuidada. Por isto, neste espaço, grupos se encontrarão e colocarão em práticas estes sonhos coletivos. Elaborarão projetos de vida pessoais, comunitários e de planeta. Este Cajueiro quer acolher aves de toda natureza, e confiará que estes pássaros serão condutores destas sementes espalhadas por todo o mundo.
Será uma árvore que produzirá frutos, sementes, sombras, brisa para acolher, com carinho, a juventude empobrecida. E assim, com ela, espalhar o prazer de viver uma vida segura, com direitos garantidos, com arte e lazer, com cultura e beleza a fim de espalhar o bem e a bondade, crendo que “gentileza gera gentileza”.
Para que tudo isto acontecesse, no dia 23 de março de 2013, aprovamos o Marco Legal, o Estatuto, e elegemos um grupo coordenador que terá a tarefa de acolher e organizar as ideias e decisões. Até definimos o lugar onde vamos cultivar este Cajueiro.
Espalhamos esta boa noticia porque esperamos que as águas de março, abundantes; a resistência firmada em raízes firmes; um verde abundante; flores perfumadas e esperanças de frutos e sementes, possam nos alimentar neste caminho que retomamos de outro lugar. Agora, é na sombra do Cajueiro que sonhamos gerar o Bem Viver e o Bem Querer.

Goiânia, 25 de março de 2013.
Carmem Lucia Teixeira, da coordenação do CAJUEIRO – Centro de Formação, Assessoria e Pesquisa em Juventude, pesquisadora em Juventude, co-autora do livro Juventude e Autonomia.

Acompanhe e comunique-se conosco.  Esperamos o seu contato:
Correio eletrônico do Cajueiro – centrocajueiro@gmail.com
Correio eletrônico da livraria – livrariacajueiro@gmail.com
Skype – cajueiro_centro
Twiter – cajueiro @cajueiro_centro
Blog em construção - http://cajueirocerrado.blogspot.com

Carta aberta da Pastoral da Juventude à Caju Assessoria




“A história ninguém deterá, é rio que corre pro mar, ninguém vai nos calar, nos calar!”
(Zé Vicente)

Nós, jovens e adultos, membros da Coordenação Nacional e Comissão Nacional de Assessores/as da Pastoral da Juventude, reunidos em São Leopoldo/RS, por ocasião da Abertura do Ano Celebrativo dos 40 anos da PJ, queremos expor a nossa preocupação e indignação em relação à intervenção realizada na Casa da Juventude Pe. Burnier (CAJU), em Goiânia/GO.
A CAJU, em sua trajetória, foi referência nacional e latino-americana em formação, assessoria,pesquisa e pós-graduação em juventude. Também contribuiu significativamente por meio da produção de vários subsídios, sendo estes ferramentas importantes para as lideranças dos grupos de base. Exerceu um papel importantíssimo na evangelização, conscientização e promoção de direitos humanos. Foi uma verdadeira casa para os/as jovens da Pastoral da Juventude no Brasil. Espaço que se configurou muitas vezes como um ambiente de partilha e celebração da vida. Aprendemos a cultivar nossa juventude e espiritualidade nos Cursos, Encontros e Formações promovidos pela CAJU, inspirados pela mística inaciana, pela opção preferencial aos pobres e pelo exemplo dos colaboradores da casa. Aprendermos na prática, junto aos/as colaboradores/as, o seguimento profético a Jesus Cristo, na luta pelos direitos da juventude, no acolhimento e diálogo com a pluralidade existente em nossa sociedade.
Nos últimos meses, a nova diretoria da CAJU simplesmente cancelou todos os projetos pastorais, alegando problemas financeiros e uma reformulação nos princípios e objetivos da Casa. Ficamos surpresos com esse fato acontecer depois de todos os projetos serem aprovados em assembleia. Lamentamos de forma especial o cancelamento das atividades pastorais. Como se não bastasse, todos/as os/as colaboradores/as dos respectivos projetos foram sumariamente desligados. Uma decisão arbitrária que simplesmente passou por cima de anos de processos de discernimentos, diálogos e vivência comunitária, tão caros para nós.
Essa intervenção acontece em 2013, ano em que a atenção da Igreja do Brasil se volta para os/as jovens com a realização da Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro e a realização da Campanha da Fraternidade promovida pela CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, com o tema Fraternidade e Juventude. A CF propõe o objetivo de acolher os/as jovens no contexto das mudanças de nossa época. A atual situação da Casa da Juventude se torna uma de nossas sombras, diante de nossa missão e chamado de seguimento a pessoa de Jesus Cristo.
Comprometidos com a vida da juventude, a pergunta que nos inquieta é justamente: “o quanto a perda desse espaço pode prejudicar as nossas lutas e conquistas da juventude e enfraquecer a nossa caminhada?” Assim para nós participantes da Pastoral da Juventude, das mais diversas realidades empobrecidas vemos que mais uma porta se fecha. A juventude perdeu mais um espaço! Como afirmar que a opção é pelos jovens, cancelando os projetos pastorais e de relevância de um dos centros juvenis com maior reconhecimento da América Latina?
Queremos abraçar a todos/as nossos/as companheiros/as, colaboradores/as da casa que foram desligados/as. Queremos expressar nossos mais sinceros e tristes sentimentos com nossos amigos/as, devido aos tristes acontecimentos.
Cremos na Jerusalém da ressurreição. O que aprendemos com os processos vividos na CAJU está em nós. Acreditamos em uma Igreja que acolha de verdade a juventude.
Apoiamos a força e união do grupo de pessoas, proféticas, sonhadoras, que se reúne no desejo de continuar a missão assumida há mais de duas décadas, pela até então Casa da Juventude Padre Burnier, agora com uma nova configuração, a Caju Assessoria – Centro de Assessoria em Juventude. Nosso coração se encheu de alegria em saber que no último dia 9 de março, foi marcado pela ressurreição dos princípios iniciais da CAJU com a realização da Assembleia de Fundação do Centro de Assessoria em Juventude- Caju Assessoria.
Desde já manifestamos o nosso desejo e compromisso de continuarmos em parceria, não só com aCaju Assessoria, mas com toda a Rede Brasileira de Centros e Institutos de Juventude, agradecendo a participação efetiva em nossa história que completa seus 40 anos com muitos desafios e sonhos que juntos construímos.
Sigamos na construção da Civilização do Amor, na certeza de que outro mundo é possível.

São Leopoldo/RS, 22 de março de 2013.

Coordenação Nacional e
Comissão Nacional de Assessores/as
Pastoral da Juventude
Autor/Fonte: Coordenação/Comissão Nacional de Assessores da PJ

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